Archive | December 2014

A neurose filosófica – final

“Crevel desconfia e eu compreendo. Entre a Maga e eu cresce um canavial de palavras, estamos separados só por algumas horas e alguns quarteirões e já a minha pena se chama pena, meu amor se chama meu amor… Irei sentindo cada vez menos e recordando cada vez mais, mas o que é a recordação, afinal, senão o idioma dos sentimentos, um dicionário de rostos e dias e perfumes que voltam como os verbos e os adjetivos no discurso, adiantando-se disfarçados, à coisa em si, entristecendo-nos ou lecionando-nos vicariamente até que o próprio ser se torna vigário, o rosto que olha para trás abre muito os olhos, o verdadeiro rosto se mancha pouco a pouco como nas velhas fotografias e Jano, de repente, é igual a qualquer um de nós. Vou dizendo isto tudo a Crevel, mas é com a Maga que estou falando, agora que estamos tão longe um do outro. E não lhe falo com as palavras que só serviram para que não nos entendêssemos, agora que já é tarde começo a escolher outras, as dela, as envoltas naquilo que ela compreende e que não tem nome, auras e tensões que crispam o ar entre dois corpos ou enchem de ouro em pó um quarto ou um verso. Mas não vivemos nós assim, todo o tempo, lacerando-nos docemente? Não, não vivemos assim, ela teria querido, porém uma vez mais voltei a instalar a falsa ordem que estimula o caos, a fingir que me entregava a uma vida profunda da qual só tocava a terrível água com a ponta do pé. Existem rios metafísicos, ela nada por eles como aquela andorinha está nadando pelo ar, girando alucinada, em torno do campanário, deixando-se cair para melhor levantar-se com o impulso. Eu descrevo e defino e desejo esses rios; ela nada por eles. Eu os procuro, os encontro, olho-os da ponte, e ela nada por eles. E, sem o saber, igualzinha à andorinha. Não precisa saber, como eu; pode viver na desordem sem que nenhuma consciência de ordem a retenha. Essa desordem que é a sua ordem misteriosa, essa boêmia do corpo e da alma que lhe abre de par em par as verdadeiras portas. A sua vida não é desordem a não ser para mim, enterrado em preconceitos que eu desprezo e respeito ao mesmo tempo. Eu, condenado a ser absolvido irremediavelmente pela Maga, que me está julgando sem o saber. Ah, deixa-me entrar, deixa-me ver algum dia da mesma forma como veem os teus olhos.

Inútil. Condenado a ser absolvido. Voltar para casa e ler Spinoza. A Maga não sabe quem é Spinoza. A Maga lê romances intermináveis de russos e alemães e Pérez Galdós e os esquece imediatamente. Nunca suspeitará que me condena a ler Spinoza. Juiz incrível, juiz por suas mãos, por sua corrida em plena rua, juiz por apenas olhar-me a me deixar nu, juiz por ser boba e infeliz e desconcertada e vagabunda e menos do que nada. Por tudo isso que sei pelo meu amargo saber, com a minha podre experiência de universitário e de homem esclarecido, por tudo isso, juiz. Cai, andorinhas, com essas que recortam o céu de Saint-Germain-des-Prés, arranca esses olhos que olham sem ver, estou condenado sem apelo, pronto para esse cadafalso azul para onde me alçam as mãos da mulher cuidando do seu filho, pronta a sentença, pronta a ordem mentida de estar só e recuperar a suficiência, e a egociência, a consciência. E, com tanta ciência, uma inútil ânsia de ter pena de alguma coisa, de que chova aqui dentro, de que por fim comece a chover, a cheirar a terra, a coisas vivas, sim, finalmente, a coisas vivas”.

(Julio Cortázar, O jogo da amarelinha)

Sertão e Salvador

Hoje assisti ao show de Baiana System e de Otto, na Feira de São Joaquim. Não gostei da primeira apresentação e muita da segunda. Apesar de escutar Baiana em casa e admirar a musicalidade, nunca me sinto tomado em seus shows, o que aconteceu repetidas vezes com Otto. Em dado momento, eu me perguntei a razão e veio o estalo quando o pernambucano emendou um pout-pourri de Odair José, Wando e Reginaldo Rossi: é interior, é sertão, o clima está aí. Era interno o meu critério.

Vim criança de Irecê, mas ali olhei o mundo pela primeira vez e por esta primeira brecha conheci as coisas. Irecê assim nunca deixará de ser o mundo primeiro, o parâmetro. Ao chegar em Salvador, entendi de imediato, no corpo, que era um mundo distinto: não só por ser capital e metrópole, mas pela cultura afro-lusitana do Recôncavo. À época eu achava as pessoas de Salvador maliciosas, safas, afloradas, nomes que aprendi depois. O meu duelo com este estranho se deu nas pequenas coisas, na preferência do beiju ao acarajé, da carne do sol à moqueca, do baião ao samba, do rio ao mar. Curiosamente não falo gírias, tenho pouco sotaque: adaptei-me desconfiado.

Baiana System é a expressão da atmosfera atual de Salvador e também por isso possui força e valor reconhecidos na própria cidade. Nesta representação, não senti nenhum elemento do meu mundo primeiro ali e não conseguia me absorver, enquanto parecia tão fácil à maioria. Soube hoje mais uma vez que não sou do Recôncavo. Otto tampouco, mas me vi mais através dele. Pensei sobre Pernambuco: teria Recife conseguido absorver o seu sertão e Salvador não? Aqui na “Bahia”, da Baía de Todos os Santos, os sertanejos chegam, os costumes e os pratos típicos em seu bojo, mas o sertão mesmo não toca.

Li agora que Otto nasceu no Agreste, a fluidez entre um mundo e outro pode vir dele pessoalmente. Mas não invalida a suspeita e a vontade de respirar as outras capitais do Nordeste, com foco no Recife. Gilberto Freyre, pernambucano, fala que o sertanejo viveu mais distante da escravidão, dos portos e da abonança, não entende sequer o sexo da mesma forma, este mais resignado, o outro iniciado com mucamas e poderio. O filme “O Som ao Redor”, de Kléber Mendonça Filho, estabelece esta ponte entre dois mundos de modo severo. Como se faz a ponte em Salvador? Ela existiria, para além do que eu percebo? Eu a procuro e a vejo, ainda mais e viva, desde mim.

A neurose filosófica – parte 2

Ontem fui a uma festa universitária. Música ruim, pouco gosto por álcool: entrei numa roda de conversa sobre filosofia. Participava um professor e uma futura psiquiatra, ambos em debate sobre a verdade e a realidade, se as coisas são verdadeiras ou não, ele por um sentido aberto e histórico, ela por um viés biológico e social. Identifiquei-me mais com a moça, não só por eu tender à companhia feminina, mas por estar ali mais próxima ao concreto. Há um tempo tenho me desentendido com os céus teóricos e visto que o melhor aprendizado de filosofia foi o de superá-la. “Sabe o que é real?”, eu lhes perguntei. Tomei a futura psiquiatra enquanto começava um forró e bailei.
A influência direta aí foi do filme Brincante, revisto horas antes, que me fez inclusive sair de chapéu. O chapéu de Antonio Nóbrega, gênio da fusão alma e corpo, popular e erudito. Neste documentário sobre a sua trajetória, se assim podemos chamar, não há sequer uma fala: tudo é mostrado. Não se explica a dança, dança-se, nem se conta um momento, expõe-se a sua refazenda. O único discurso “sobre” a sua atividade é na cena final, do trecho de um show, em forma de poema. Nóbrega aí aponta que o melhor de sua trajetória foi fazer, realizar, para tornar este mesmo real uma brincadeira e um encantamento. A transcendência, ou seja, a capacidade de transpor simbolicamente o que experimentamos, não é sistêmica, é brincante: a graça do humano é fazer mágica com o que sente.
Crátilo foi um filósofo do período grego clássico que radicalizou as ideias de Heráclito: como não se pode entrar duas vezes no mesmo rio e o mundo se transforma a todo tempo, não é possível conhecer as coisas. Nada pode ser transposto em conceito, pois em seguida se altera. O que se pode fazer então é apontar. Foi a lembrança que me veio ao cruzar uma trilha na Chapada Diamantina, no último fim de ano: a natureza é tão maior, tão mais bela, que sobre ela o melhor ainda é estar ali para vê-la e apontá-la. Mas Crátilo era sisudo e se recusou a falar após a sua descoberta, o que explica porque através dele ainda não superei a “neurose filosófica” nos meses seguintes, apesar da desconfiança. Um Crátilo brasileiro, se entende que frente as coisas o melhor é usar o indicador, torna-se um artista, e dança e canta e recita e narra. Alegra-se.
No meio do forró, a garota se constrangia com os olhares sobre ela e falava o que cada um deles queria dizer. Perguntei se não seria mera interpretação, mais um descolamento da realidade capaz de fabricar histórias que podem ou não corresponder com os fatos. Ela ainda assim não saiu disso e a dança foi perdendo o sabor. Caminhei pela grama e maldisse a educação, por nos tornar abstratos, tão treinados cognitivamente a ponto de achar que seria a cognição a mais valiosa. Fui deitar em um banco com o chapéu encostado e o céu por inteiro ali em cima. Alguém me sacudiu, e este alguém estava certíssimo. Melhor mesmo tomar um sucão e comer um hot dog na madrugada.

Hélio Leite sobre O Autor do Leão

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Hélio Leite, contador de histórias, curitibano brincante, artesão e criador da expressão “Tarja Branca”, levou um exemplar do leão e me voltou com essa. Um abraço forte naquela figura, mais um que me mostra existir pessoa para além de gente:

“Li dez folhas do seu livro, falando de livro de empréstimos, fiquei no ruminando e chorei, não sei ainda se foi pelo gato doente, pela aracy pelo josé, pelo rosas, ou foi mesmo por mim, em descobrir um escritor dourado que escreve dourado nesse território ilustre, onde a poesia faz trico sem lã e a madame generosidade areia o fundo de suas panelas com cinzas de seu próprio fogão, desculpe, mas não resisti essa tietagem largada, assim nessa manhã de domingo, eu longe da minha feira, mas perto de tantos novos amigos, troquei de banzo e a alegria voltou a sapatear no meu coração. Se a vida não é isso, virou nisso. Mas não estou me queixando, tou é louvando, que hoje é dia de.”

O autor do leão: ideias

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Publiquei em agosto, pela Domínio Público, um livro de contos chamado “O autor do leão”. Alguns me perguntam se o leão vem do signo ou de algum mascote: não, vem mesmo do rei da natureza. No conto que traz esse título, um homem branco ocidental descobre que um desenhista, numa ilha distante do Pacífico, criou um ser fantástico que é igual a um leão. Seria aí o bicho um ser ficcional, uma vez que o desenhista não faz a mínima ideia da existência do leão em outro ponto da Terra, ou seria real, porque o homem branco ocidental o conhece? Qual dos dois é “o autor do leão”?

O dilema percorre os contos: personagens criam realidades ou se veem no interior de campos de ficção, seja por agrado ou por horror, que se misturam com as coisas. O elemento fantástico, em geral, opera na invasão do imaginário no mundo da realidade bruta, sem se saber quem vive a fantasia de quem. Nestes contos, põe-se a questão de se é possível presenciar a realidade sem criá-la. Se não, que a criemos a favor de abrir o destino para aquilo que queremos lançar.

Gosto da singeleza de “O livro extraviado” e de até hoje não terem certeza se a história aconteceu ou não (a de Guimarães Rosa e José J. Veiga eu garanto). Destaca-se em “O autor do leão” a ironia do escritor que não sabe como contar a história, quase com receio de que ela passe assim a existir em algum lugar do mundo. As projeções aprisionadoras de “Imitações de Borges”, quando um homem passa a acreditar apenas na existência de suas ideias, e libertadoras de “Imitações de Fabiano”, quando um rapaz decide imitar um amigo admirado para tornar-se autêntico. E daí vão as ficções psicológicas, apenas supostamente fantásticas, de “A cada passo o pássaro”, e a requisição de autonomia, a vontade de sair do idealismo, em “Os arquitetos”.

Sou capaz de falar tempos e tempos sobre os elementos de cada história, porque pesei o seu uso e, se muito falhei, foi mais por execução do que intenção. Não quis um livro de contos soltos, mas com uma unidade, e mesmo a ordem se vale do percurso da ideia de autoria, em descoberta, dúvida, cópia, acasos e decisão… Conto mais nada: deixo a imaginação se estender e os bons leitores me completarem ou me desfazerem. Agradável leitura, se o caso for!

A neurose filosófica

Ontem vi o filme “Brincante”, de Walter Carvalho, sobre a trajetória artística de Antônio Nóbrega, um gênio da raça. Antônio dança, canta, declama, atua e conta história, uma vez que tudo aí se complementa. Ele mostra que sim, seu corpo é a síntese. Mas de tantas coisas que realiza, uma não se presta: explicar. O filme seria um documentário, se o artista falasse de sua trajetória, e no entanto ele só a mostra. Pensei zangado que se queria pressupor do público um conhecimento prévio sobre a vida de Antônio, do Instituto Brincante, mas não, era isso vezes isso vezes isso. Minha mãe, que não conhecia nada a respeito, adorou. Porque no fundo conhecia e entendia tudo o que se apresentava na tela.

Há tempos penso se uma ideia dançada não seria melhor expressa. Ou nós devíamos aprender a pensar mais pelo corpo: pensar hoje é uma atividade puramente mental. Venho de uma formação em filosofia e sei como questões sobre o mundo podem ser forjadas em uma poltrona de escritório. Certos problemas da metafísica poderiam ser cogitados sem a presença de um organismo, só com esta força que parece transcendente e se instala na cabeça. Com o tempo e a repetição, o corpo parece se abstrair. Para que a realidade mental seja maior que a realidade dos fatos, e o mundo virar a combinação de nossos humores, é o próximo passo.
Enquanto assistia ao filme, tive vontade de saber dançar frevo, mas sempre me achei muito duro, o que achava ser uma causa e hoje sei que é uma consequência. Gostaria muito mais de, entre um círculo de amigos, mostrar-lhes passos ou uma história em vez de uma teoria. Com o teatro dos gestos, eu poderia mesmo estar entre avó, primos e tias, distante do mundo do intelecto, sem a sensação de parecer pedante, e no fundo ser. A filosofia traz fundamentos, instrumentos para a razão, ideias que tornam mais funda a realidade, um senso crítico incrível, mas não alegria. Faço das minhas aulas uma diversão, mas nunca me alegrei com um sistema de pensamento. As minhas convicções não me deixaram mais felizes, mas que bom que as tenho, pois posso me superar por dentro e a partir delas.

A alegria depende do corpo, é um fato. As pessoas se reconhecem pelo corpo, é outro fato, e se tornam aí iguais. Se dançassemos e cantássemos, nem precisaríamos de muitos idiomas. A vida mesma se encanta. “O excesso de consciência é uma desculpa para não fazer”, disse Mario de Andrade a Fernando Sabino, em uma carta que gosto muito. “E é preciso fazer, Fernando, antes de tudo fazer”. Sobre as coisas, e as contradições deste mundo, o que mais se faz é complicá-las para não se realizar. O real é simples, e a maioria das ideias são nuvens sobre a terra: inclusive às vezes a lhe taparem o sol. Hoje prefiro, em vez de entender a morte na condição humana, enganá-la como Tonheta ou Pedro Malasartes. Assim podemos chorar, meu velho Antônio, assim podemos…

Segue a palestra que este Nóbrega fez para o TEDx Amazônia: o título é incrível. “Antônio Nóbrega dança o Brasil”. Não é pensa, explica, compreende, é dança. Dança!

A neurose literária

Era uma vez um menino que se via como um rei em casa, mas ninguém lhe dava crédito na rua. Durante as brincadeiras, não lhe chamavam, e nem ele pedia para que chamassem, mesmo que quisesse, por orgulho. Ainda não descobrira que era “feio”: nem a mãe, nem os avós lhe contaram. A cada vez que seguia até o parque e não recebia nenhum convite, para a mísera partida que fosse, prometia vingança. Um dia descobririam como ele é importante, para além dos meros afazeres dos homens: seria indispensável à posteridade, ao povo, ao universo. O modo mais à mão que conseguiu, literalmente, foi pôr-se a escrever livros.

Este menino foi Jean-Paul Sartre, e ele o conta em As Palavras, o livro favorito de Caetano Veloso à época da Tropicália, de quem o compositor pega emprestado inclusive uma frase (“nada no bolso ou nas mãos, pelo trabalho e pela fé…”). Fiquei curioso por lê-lo a partir de um depoimento do próprio Sartre, ao dizer em entrevista que só escreveu tais memórias da infância para detectar e se curar de sua “neurose literária”. Trata-se de acreditar, mesmo de modo implícito, que fazer livros destaque o autor em relação a outros homens, pois o lega à eternidade e o eleva acima da moral. É como entrar no trem sem passagem, mas convencer o cobrador que não seria necessário em seu caso, pois possui uma razão nobre para viajar. “Assim é o orgulho: a defesa dos miseráveis”, diz o velho Jean-Paul. “Só têm direito de serem modestos os viajantes munidos de passagem”.

Ao final, Sartre se cura ao considerar-se tão homem quanto todos os outros, o que de fato é, mas era penoso admitir para quem escrevia, antes de tudo, a fim de “ter o direito de viver” e de “perdoar a própria existência”. Verifiquei, com certo tom de graça, que a maioria dos meus amigos escritores era feio, ou ao menos o foram na infância. Eu, inclusive, e se lembro bem, passei a ler para compensar com inteligência a minha falta de habilidade com o corpo, e a escrever para contrariar a falta de sucesso com as garotas, o primeiro e máximo sinal de distinção social aos dez anos. Dramas causadas por mim próprio, ora essa: “Se me procuras, é porque já me tens achado”. Máxima que aparece em As Palavras, cai-me agora como a minha saída: criava as condições para me dedicar aos livros, e se sabia que era fora do fluxo das demais pessoas, cuidei para me sentir afugentado por elas.

Também Sartre não vê no ninho de mágoas que está no seu mote inicial para a literatura uma razão para recusá-la no presente. Continuará a escrever, mesmo que seja um “sonho burguês”, um “agrado o avô”, uma maneira de ser indiferente, apenas sem ver nisto o selo da diferenciação. Fazer um livro não é mais importante do que fazer uma cadeira, nem o escritor está acima dos juízos: é um participante e deixe que em suas páginas também exista o mundo. A neurose é acreditar que as palavras são mais verdadeiras do que a realidade, e que para uma coisa existir precisa passar pela palavra e por seu guardião. O autor de literatura fornece outras palavras, elastece o campo do possível: apenas. E que bom. “Desta feita, minha pura opção não me elevava acima de ninguém: sem equipamento, sem instrumental, lancei-me por inteiro à ação para salvar-me por inteiro”.